Viver em um espaço nada físico, limitado, quadrado.
Espaço que nao te pertence. Sem dimensoes.
A lingua é espaço. E se pode viver em espaços, mas nem sempre existir.
(Bonita sutileza que repousa em abismos. Viver e existir...)
Pode-se viver na lingua, sentir-e envolvido por ela. Sim.
E nela correm, como carros velozes, sem freio, todas as ideias perdidas,
todas as curvas e avenidas. Todas as rotas.
Rotas de vinho rascante, seco. Pura sinestesia.
E se nela te faltam palavras. Se nela nada repousa, é preciso viver um pouco mais.
E quando nao há mais palavras para dizer,
quando desenhas circulos em volta de tuas ideias.
Quando as palavras existem, mas nao as alcanças. Elas pairam no ar sorrindo de ti.
E entao nascem borboletas.
Borboletassaopalavrasquenaoforamditas.
Borboletas sao palavras que nao foram ditas.
sábado, 11 de setembro de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Assim como o vestido lhe caisse bem, em um corpo que talvez não fosse seu.
Como se não tivesse importância ter um corpo ou molda-lo. Ou fazer qualquer outra coisa para que ele se tornasse mais seu. O corpo. Simples ferramenta de uma alma livre.
Daquelas que se reconhece pelos olhos.
São corpos que exalam humanidade, almas que não cabem em corpos.São capazes de qualquer coisa. São poços profundos de melancolia, saudade e paixões. E são grandes e pequenos e volumosos. Molezas humanas. Sutilezas que não se escondem. Gritantes.
Corpos transparentes. Capazes de transformar a luz do sol em cores que não existem.
Nada é previsivel quando almas não cabem em corpos.
E aí sim. Tudo pode ser...
Como se não tivesse importância ter um corpo ou molda-lo. Ou fazer qualquer outra coisa para que ele se tornasse mais seu. O corpo. Simples ferramenta de uma alma livre.
Daquelas que se reconhece pelos olhos.
São corpos que exalam humanidade, almas que não cabem em corpos.São capazes de qualquer coisa. São poços profundos de melancolia, saudade e paixões. E são grandes e pequenos e volumosos. Molezas humanas. Sutilezas que não se escondem. Gritantes.
Corpos transparentes. Capazes de transformar a luz do sol em cores que não existem.
Nada é previsivel quando almas não cabem em corpos.
E aí sim. Tudo pode ser...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
camadas
O livro só. Dentro da tarde.
Dentro da tarde. Dentro da tarde.
O livro mais bem guardado.
Envolvido em camadas finas
de tardes alheias
de vozes alheias
Ele não sabe que é livro.
Nem as vozes sabem que são vozes.
Tudo envolto em tarde.
Tudo faz questão de ser.
velha
Aquela velha que habita em ti
Doce e besta
Envolta em fumaça e inveja
A velha que se desvira
Se desfaz. De dentro para fora
em cambalhotas senis.
Rastros de ossos.
Velha de avental e macumba
Velha e pomba
com tempo de sobra
com tempo lhe escorrendo pelos olhos
Olhos de inveja.
Dos amores que passavam por ali.
Dessas velhas que habitam em ti.
Doce e besta
Envolta em fumaça e inveja
A velha que se desvira
Se desfaz. De dentro para fora
em cambalhotas senis.
Rastros de ossos.
Velha de avental e macumba
Velha e pomba
com tempo de sobra
com tempo lhe escorrendo pelos olhos
Olhos de inveja.
Dos amores que passavam por ali.
Dessas velhas que habitam em ti.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Espero que as tuas sejam das mais doces...
Quando diz suas palavras e quando libera seus desejos, você tem mortes atras de mortes, empilhadas e infinitas. Mortes suas mesmo. Ainda que seja doce. E espero que seja. Tens mortes rígidas e seguras de si.
Na curva que se estende de dentro de ti para o mundo a fora, as mortes se acumulam.
Pois nada é e nem nada será como pensas e nessa frustraçao tens a morte.
E entao tens o desejo, depois a vida, o real e tudo aquilo que nao te pertence, tudo aquilo que só pertence ao tempo. Depois, sim, você morre um pouco. Pouco a pouco.
Cada tentativa de tornar real o que está dentro de ti é pura morte. Cada vez menos. Amarga.
Na curva que se estende de dentro de ti para o mundo a fora, as mortes se acumulam.
Pois nada é e nem nada será como pensas e nessa frustraçao tens a morte.
E entao tens o desejo, depois a vida, o real e tudo aquilo que nao te pertence, tudo aquilo que só pertence ao tempo. Depois, sim, você morre um pouco. Pouco a pouco.
Cada tentativa de tornar real o que está dentro de ti é pura morte. Cada vez menos. Amarga.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
flamenco
La torre
del más antiguo castillo
Más grande y oculto
Lleno de colores
velas y voces
Se convierte en ruinas
huracanes, vendavales.
Estructuras y ladrillos de baile
Dejando volar
revoluciones de toda
la humanidad
Así ella baila
sobre su descontento.
Pero, con la sonrisa
de los que eligen sus proprios caminos
quinta-feira, 8 de abril de 2010
oco
Teus santos dentro das caixas,
dentro das caixas, dentro do quarto
Teus santos envoltos em cores gritantes
Revelando o que nunca foi dito
Desses santos ocos que tens
nas estantes internas
Desses que te ajudam a dormir
São santos e mais santos
misturados, semi quebrados
tilintado, compartilhando vazios
Seus olhares não me dizem nada
só o que era para ter sido.
Tua alma vazia
Teu corpo fechado,
muito santo
Sinto muito.
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