Meu reflexo em uma vitrine de tortas doces
Meu rosto torto e as tortas.
Tijolo e tâmaras
Tortura e tesao
Minhas caras tortas
Leia de novo: minhas caras tortas.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
.
Te mostro uma foto e falemos entao de molezas humanas.
Uma cama recém usada, recém dormida. Assim, com os lençois fazendo montanhas e vales e formando sombras e liberando pouco a pouco todo o sonho que guardou. Essa luz amarela, essa coisa das luzes amarelas nas camas. E essa mulher sentada, tao nua. Sim, pois talvez existam niveis de nudez, depois que se está completamente nu.Sabe? Uma pessoa talvez possa estar mais nua que uma outra, mesmo estando as duas nuas.
E ela tao nua, curvada, sentada, olhando as pequenas montanhas amarelas, assim como se nao tivesse que viver mais para nada.
E mostrando suas curvas verdadeiramente humanas, seu olhar verdadeiro e tudo.
E sao tao bonitos esses erros. Esses desconcertos e essas molezas e essas montanhas.
Sem capas que te façam melhor, sem fórmulas, sem fôrmas.
Entende essa moleza humana? Humanos feitos de acasos e textura.
Textura, meu bem. É tudo uma questao de textura.
Uma cama recém usada, recém dormida. Assim, com os lençois fazendo montanhas e vales e formando sombras e liberando pouco a pouco todo o sonho que guardou. Essa luz amarela, essa coisa das luzes amarelas nas camas. E essa mulher sentada, tao nua. Sim, pois talvez existam niveis de nudez, depois que se está completamente nu.Sabe? Uma pessoa talvez possa estar mais nua que uma outra, mesmo estando as duas nuas.
E ela tao nua, curvada, sentada, olhando as pequenas montanhas amarelas, assim como se nao tivesse que viver mais para nada.
E mostrando suas curvas verdadeiramente humanas, seu olhar verdadeiro e tudo.
E sao tao bonitos esses erros. Esses desconcertos e essas molezas e essas montanhas.
Sem capas que te façam melhor, sem fórmulas, sem fôrmas.
Entende essa moleza humana? Humanos feitos de acasos e textura.
Textura, meu bem. É tudo uma questao de textura.
domingo, 3 de outubro de 2010
expansao
Nao, nao. Espera, voce nao está entendendo. Eu tive vontade de te dizer essa música. Eu nao quis dizer as palavras que compoem a melodia. Entende? Eu quis te dizer a música. Nao no sentido de te oferecer alguma coisa, como um presente ou algo bonito, tambem nao é isso. Eu quis dizer a musica.
Nao que eu procurasse algo para dizer a ti e encontrei uma musica perfeita para faze-lo.Tampoco es eso.
Eu ouvi a música, senti suas texturas, seus desenhos, seus contornos, seus gráficos e alfabetos e todos os seus jardins e quintais. E senti que deveria te dizer essa musica. Eu nao quis dizer nada com ela, sabe. Nao adianta ler as entrelinhas, nao há nada ali. Simplesmente quis te dizer uma musica.
É como se eu disesse que tem um flor no teu cabelo, sem ter. Simplesmente por que me parece bonito dizer algo assim como "menino, tem uma flor no teu cabelo" e o fizesse pela sonoridade das palavras, pelas fotos que elas carregam, pela melancolia de uma flor em teus cabelos.Entende?
Nao que eu procurasse algo para dizer a ti e encontrei uma musica perfeita para faze-lo.Tampoco es eso.
Eu ouvi a música, senti suas texturas, seus desenhos, seus contornos, seus gráficos e alfabetos e todos os seus jardins e quintais. E senti que deveria te dizer essa musica. Eu nao quis dizer nada com ela, sabe. Nao adianta ler as entrelinhas, nao há nada ali. Simplesmente quis te dizer uma musica.
É como se eu disesse que tem um flor no teu cabelo, sem ter. Simplesmente por que me parece bonito dizer algo assim como "menino, tem uma flor no teu cabelo" e o fizesse pela sonoridade das palavras, pelas fotos que elas carregam, pela melancolia de uma flor em teus cabelos.Entende?
sábado, 11 de setembro de 2010
lingua
Viver em um espaço nada físico, limitado, quadrado.
Espaço que nao te pertence. Sem dimensoes.
A lingua é espaço. E se pode viver em espaços, mas nem sempre existir.
(Bonita sutileza que repousa em abismos. Viver e existir...)
Pode-se viver na lingua, sentir-e envolvido por ela. Sim.
E nela correm, como carros velozes, sem freio, todas as ideias perdidas,
todas as curvas e avenidas. Todas as rotas.
Rotas de vinho rascante, seco. Pura sinestesia.
E se nela te faltam palavras. Se nela nada repousa, é preciso viver um pouco mais.
E quando nao há mais palavras para dizer,
quando desenhas circulos em volta de tuas ideias.
Quando as palavras existem, mas nao as alcanças. Elas pairam no ar sorrindo de ti.
E entao nascem borboletas.
Borboletassaopalavrasquenaoforamditas.
Borboletas sao palavras que nao foram ditas.
Espaço que nao te pertence. Sem dimensoes.
A lingua é espaço. E se pode viver em espaços, mas nem sempre existir.
(Bonita sutileza que repousa em abismos. Viver e existir...)
Pode-se viver na lingua, sentir-e envolvido por ela. Sim.
E nela correm, como carros velozes, sem freio, todas as ideias perdidas,
todas as curvas e avenidas. Todas as rotas.
Rotas de vinho rascante, seco. Pura sinestesia.
E se nela te faltam palavras. Se nela nada repousa, é preciso viver um pouco mais.
E quando nao há mais palavras para dizer,
quando desenhas circulos em volta de tuas ideias.
Quando as palavras existem, mas nao as alcanças. Elas pairam no ar sorrindo de ti.
E entao nascem borboletas.
Borboletassaopalavrasquenaoforamditas.
Borboletas sao palavras que nao foram ditas.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Assim como o vestido lhe caisse bem, em um corpo que talvez não fosse seu.
Como se não tivesse importância ter um corpo ou molda-lo. Ou fazer qualquer outra coisa para que ele se tornasse mais seu. O corpo. Simples ferramenta de uma alma livre.
Daquelas que se reconhece pelos olhos.
São corpos que exalam humanidade, almas que não cabem em corpos.São capazes de qualquer coisa. São poços profundos de melancolia, saudade e paixões. E são grandes e pequenos e volumosos. Molezas humanas. Sutilezas que não se escondem. Gritantes.
Corpos transparentes. Capazes de transformar a luz do sol em cores que não existem.
Nada é previsivel quando almas não cabem em corpos.
E aí sim. Tudo pode ser...
Como se não tivesse importância ter um corpo ou molda-lo. Ou fazer qualquer outra coisa para que ele se tornasse mais seu. O corpo. Simples ferramenta de uma alma livre.
Daquelas que se reconhece pelos olhos.
São corpos que exalam humanidade, almas que não cabem em corpos.São capazes de qualquer coisa. São poços profundos de melancolia, saudade e paixões. E são grandes e pequenos e volumosos. Molezas humanas. Sutilezas que não se escondem. Gritantes.
Corpos transparentes. Capazes de transformar a luz do sol em cores que não existem.
Nada é previsivel quando almas não cabem em corpos.
E aí sim. Tudo pode ser...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
camadas
O livro só. Dentro da tarde.
Dentro da tarde. Dentro da tarde.
O livro mais bem guardado.
Envolvido em camadas finas
de tardes alheias
de vozes alheias
Ele não sabe que é livro.
Nem as vozes sabem que são vozes.
Tudo envolto em tarde.
Tudo faz questão de ser.
velha
Aquela velha que habita em ti
Doce e besta
Envolta em fumaça e inveja
A velha que se desvira
Se desfaz. De dentro para fora
em cambalhotas senis.
Rastros de ossos.
Velha de avental e macumba
Velha e pomba
com tempo de sobra
com tempo lhe escorrendo pelos olhos
Olhos de inveja.
Dos amores que passavam por ali.
Dessas velhas que habitam em ti.
Doce e besta
Envolta em fumaça e inveja
A velha que se desvira
Se desfaz. De dentro para fora
em cambalhotas senis.
Rastros de ossos.
Velha de avental e macumba
Velha e pomba
com tempo de sobra
com tempo lhe escorrendo pelos olhos
Olhos de inveja.
Dos amores que passavam por ali.
Dessas velhas que habitam em ti.
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