É que essa tua janela fechada me disse coisas
das quais tua varanda também ressaltou
e teus varais e cores e panos e meias
e todas as suas tardes, aventais e suspiros
e todas essas coisas que eu imagino
e que sequer chegaram a te acontecer
É que eu inventei tua vida
mas nao te contei.
Simplesmente porque nao te conheço
só te vi passar.
te vi passar só.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
tête à tête
Talvez ela tivesse algo nos olhos essa noite, algo que a denunciava de forma cruel e sem volta.
É que por dentro era como se estivesse em um balanço, onde o máximo que se alcança nos dois lados opostos é algo como se perder. E se encontrar. Se perder. Se encontrar.
Possivelmente isso divertia. Ainda que se sentisse revelada, quase que do avesso.
Como se nao bastasse esse ponto, essa chegada ao "se perder" de tempo em tempo, suas palavras de nada valiam. Seguro que podia ver todas aquelas palavras,preposiçoes e pausas como copos no ar, entornando seus conteudos, esvaziando.
Talvez ele juntasse esses copos vazios com o movimento que as maos dela desenhavam e formasse palavras inexistentes, cheias de sabor.Palavras frescas e efêmeras.E talvez por isso ele sorrisse tanto.
Ele se servindo de copos vazios, quase rachados. Ela negando cortejos e flores invisíveis.
É que as vezes eles conversam com palavras ocas. Se lambusando de ausência.
Como se um oferecesse casca de fruta ao outro.
E como se essa fosse a melhor parte...
É que por dentro era como se estivesse em um balanço, onde o máximo que se alcança nos dois lados opostos é algo como se perder. E se encontrar. Se perder. Se encontrar.
Possivelmente isso divertia. Ainda que se sentisse revelada, quase que do avesso.
Como se nao bastasse esse ponto, essa chegada ao "se perder" de tempo em tempo, suas palavras de nada valiam. Seguro que podia ver todas aquelas palavras,preposiçoes e pausas como copos no ar, entornando seus conteudos, esvaziando.
Talvez ele juntasse esses copos vazios com o movimento que as maos dela desenhavam e formasse palavras inexistentes, cheias de sabor.Palavras frescas e efêmeras.E talvez por isso ele sorrisse tanto.
Ele se servindo de copos vazios, quase rachados. Ela negando cortejos e flores invisíveis.
É que as vezes eles conversam com palavras ocas. Se lambusando de ausência.
Como se um oferecesse casca de fruta ao outro.
E como se essa fosse a melhor parte...
sábado, 20 de novembro de 2010
!
Nós? Reles mortais?
E existe algo maior
que morrer?
Os deuses que me desculpem.
Nada de reverências.
Se quiserem conversar
é aqui. Pao e café.
E existe algo maior
que morrer?
Os deuses que me desculpem.
Nada de reverências.
Se quiserem conversar
é aqui. Pao e café.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
pedaço
Meu reflexo em uma vitrine de tortas doces
Meu rosto torto e as tortas.
Tijolo e tâmaras
Tortura e tesao
Minhas caras tortas
Leia de novo: minhas caras tortas.
Meu rosto torto e as tortas.
Tijolo e tâmaras
Tortura e tesao
Minhas caras tortas
Leia de novo: minhas caras tortas.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
.
Te mostro uma foto e falemos entao de molezas humanas.
Uma cama recém usada, recém dormida. Assim, com os lençois fazendo montanhas e vales e formando sombras e liberando pouco a pouco todo o sonho que guardou. Essa luz amarela, essa coisa das luzes amarelas nas camas. E essa mulher sentada, tao nua. Sim, pois talvez existam niveis de nudez, depois que se está completamente nu.Sabe? Uma pessoa talvez possa estar mais nua que uma outra, mesmo estando as duas nuas.
E ela tao nua, curvada, sentada, olhando as pequenas montanhas amarelas, assim como se nao tivesse que viver mais para nada.
E mostrando suas curvas verdadeiramente humanas, seu olhar verdadeiro e tudo.
E sao tao bonitos esses erros. Esses desconcertos e essas molezas e essas montanhas.
Sem capas que te façam melhor, sem fórmulas, sem fôrmas.
Entende essa moleza humana? Humanos feitos de acasos e textura.
Textura, meu bem. É tudo uma questao de textura.
Uma cama recém usada, recém dormida. Assim, com os lençois fazendo montanhas e vales e formando sombras e liberando pouco a pouco todo o sonho que guardou. Essa luz amarela, essa coisa das luzes amarelas nas camas. E essa mulher sentada, tao nua. Sim, pois talvez existam niveis de nudez, depois que se está completamente nu.Sabe? Uma pessoa talvez possa estar mais nua que uma outra, mesmo estando as duas nuas.
E ela tao nua, curvada, sentada, olhando as pequenas montanhas amarelas, assim como se nao tivesse que viver mais para nada.
E mostrando suas curvas verdadeiramente humanas, seu olhar verdadeiro e tudo.
E sao tao bonitos esses erros. Esses desconcertos e essas molezas e essas montanhas.
Sem capas que te façam melhor, sem fórmulas, sem fôrmas.
Entende essa moleza humana? Humanos feitos de acasos e textura.
Textura, meu bem. É tudo uma questao de textura.
domingo, 3 de outubro de 2010
expansao
Nao, nao. Espera, voce nao está entendendo. Eu tive vontade de te dizer essa música. Eu nao quis dizer as palavras que compoem a melodia. Entende? Eu quis te dizer a música. Nao no sentido de te oferecer alguma coisa, como um presente ou algo bonito, tambem nao é isso. Eu quis dizer a musica.
Nao que eu procurasse algo para dizer a ti e encontrei uma musica perfeita para faze-lo.Tampoco es eso.
Eu ouvi a música, senti suas texturas, seus desenhos, seus contornos, seus gráficos e alfabetos e todos os seus jardins e quintais. E senti que deveria te dizer essa musica. Eu nao quis dizer nada com ela, sabe. Nao adianta ler as entrelinhas, nao há nada ali. Simplesmente quis te dizer uma musica.
É como se eu disesse que tem um flor no teu cabelo, sem ter. Simplesmente por que me parece bonito dizer algo assim como "menino, tem uma flor no teu cabelo" e o fizesse pela sonoridade das palavras, pelas fotos que elas carregam, pela melancolia de uma flor em teus cabelos.Entende?
Nao que eu procurasse algo para dizer a ti e encontrei uma musica perfeita para faze-lo.Tampoco es eso.
Eu ouvi a música, senti suas texturas, seus desenhos, seus contornos, seus gráficos e alfabetos e todos os seus jardins e quintais. E senti que deveria te dizer essa musica. Eu nao quis dizer nada com ela, sabe. Nao adianta ler as entrelinhas, nao há nada ali. Simplesmente quis te dizer uma musica.
É como se eu disesse que tem um flor no teu cabelo, sem ter. Simplesmente por que me parece bonito dizer algo assim como "menino, tem uma flor no teu cabelo" e o fizesse pela sonoridade das palavras, pelas fotos que elas carregam, pela melancolia de uma flor em teus cabelos.Entende?
sábado, 11 de setembro de 2010
lingua
Viver em um espaço nada físico, limitado, quadrado.
Espaço que nao te pertence. Sem dimensoes.
A lingua é espaço. E se pode viver em espaços, mas nem sempre existir.
(Bonita sutileza que repousa em abismos. Viver e existir...)
Pode-se viver na lingua, sentir-e envolvido por ela. Sim.
E nela correm, como carros velozes, sem freio, todas as ideias perdidas,
todas as curvas e avenidas. Todas as rotas.
Rotas de vinho rascante, seco. Pura sinestesia.
E se nela te faltam palavras. Se nela nada repousa, é preciso viver um pouco mais.
E quando nao há mais palavras para dizer,
quando desenhas circulos em volta de tuas ideias.
Quando as palavras existem, mas nao as alcanças. Elas pairam no ar sorrindo de ti.
E entao nascem borboletas.
Borboletassaopalavrasquenaoforamditas.
Borboletas sao palavras que nao foram ditas.
Espaço que nao te pertence. Sem dimensoes.
A lingua é espaço. E se pode viver em espaços, mas nem sempre existir.
(Bonita sutileza que repousa em abismos. Viver e existir...)
Pode-se viver na lingua, sentir-e envolvido por ela. Sim.
E nela correm, como carros velozes, sem freio, todas as ideias perdidas,
todas as curvas e avenidas. Todas as rotas.
Rotas de vinho rascante, seco. Pura sinestesia.
E se nela te faltam palavras. Se nela nada repousa, é preciso viver um pouco mais.
E quando nao há mais palavras para dizer,
quando desenhas circulos em volta de tuas ideias.
Quando as palavras existem, mas nao as alcanças. Elas pairam no ar sorrindo de ti.
E entao nascem borboletas.
Borboletassaopalavrasquenaoforamditas.
Borboletas sao palavras que nao foram ditas.
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