olha voce nao vai acreditar no que eu to vendo
daqui da janela
eu nao sei se é o fim do mundo
ou se é qualquer dessas coisas que dividem
o mundo em antes e depois
mas o céu ta assim indeciso em dezenas de tons de azul
e os passaros
voce nao faz ideia do que eles andam fazendo por aqui
parece que é festa no ceu
fim de tarde
mil passaros felizes e raivosos
fingindo que dominaram qualquer coisa
e vai ver...
sexta-feira, 6 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
a vista da poltrona
era como se tudo tivesse deixado de ser o que era
para se tornar caminho dos ventos
como se todas aquelas coisas tivessem abdicado da vida sem vida
o vento percorrendo a sala
sacudindo as paredes, fluido inquieto
num cemiterio de coisas mortas ha muito tempo
as coisas talvez tivessem decidido em assembleia
morrer mais um pouco
como se morrer fosse retroceder em reverencias infinitas ao vento
e entao nem sei mais...
talvez as coisas estejam morrendo mesmo
e tambem talvez nao se tenha mais nada a dizer sobre isso
para se tornar caminho dos ventos
como se todas aquelas coisas tivessem abdicado da vida sem vida
o vento percorrendo a sala
sacudindo as paredes, fluido inquieto
num cemiterio de coisas mortas ha muito tempo
as coisas talvez tivessem decidido em assembleia
morrer mais um pouco
como se morrer fosse retroceder em reverencias infinitas ao vento
e entao nem sei mais...
talvez as coisas estejam morrendo mesmo
e tambem talvez nao se tenha mais nada a dizer sobre isso
quarta-feira, 30 de março de 2011
absurdo
Talvez ela carregasse toda a chuva do dia
nos cabelos molhados
E ela carregando toda aquela agua
me parecia louca, morta ou irreal.
Ela era pura. chuva
E já tinha parado de chover a tantas horas daquele dia
que eu nem sei...
Talvez uma magia na forma com que ela guardava a chuva no cabelo.
Tinha algo a mais. Era um bicho. E era como se a agua fizesse parte do seu corpo,
como se existissem pessoas morenas,magras e molhadas.
E como se ela nao soubesse disso.
E como se ela pudesse fazer chover. E sendo assim. Tao simples.
Tudo perdia o sentido.
Ela se diluindo
gota
por
gota
nos cabelos molhados
E ela carregando toda aquela agua
me parecia louca, morta ou irreal.
Ela era pura. chuva
E já tinha parado de chover a tantas horas daquele dia
que eu nem sei...
Talvez uma magia na forma com que ela guardava a chuva no cabelo.
Tinha algo a mais. Era um bicho. E era como se a agua fizesse parte do seu corpo,
como se existissem pessoas morenas,magras e molhadas.
E como se ela nao soubesse disso.
E como se ela pudesse fazer chover. E sendo assim. Tao simples.
Tudo perdia o sentido.
Ela se diluindo
gota
por
gota
segunda-feira, 28 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
eu nao sei
A arte é a unica realidade inerente ao homem.
Todo o resto pode ser ilusao. Nao no sentido negativo da palavra, mas na forma mais ampla de Ilusao. Todo o resto é colocado no mundo, mas fruto de pensamentos, desejos, ideias e ambiçoes.
Todo o resto é produto do homem no mundo. E nesse caminho de dentro para fora ou de fora para fora, o trajeto faz curva onde a ilusao se acumula.
A arte nao faz caminho nem curva, nao ha distancia suficiente entre o homem e a propria arte para que a ilusao se acumule ai.
A realidade possivel do homem é a arte.
A realidade possivel da vida, do mundo, é a natureza. É o espaço que se criou sozinho e que tampouco distanciou-se de si mesmo suficientemente para que a ilusao pudesse se acumular ali.
Pode ser que toda diferença do real e nao real esteja na distancia que algo cria de si mesmo para fazer existir alguma coisa.
Talvez nem tenha a ver com sentimento, a arte. Talvez tenha a ver com a ausencia de distancia entre o que se cria e o criador. O que de mais humano tem em ti. O que de mais humano tem em ti?
Todo o resto pode ser ilusao. Nao no sentido negativo da palavra, mas na forma mais ampla de Ilusao. Todo o resto é colocado no mundo, mas fruto de pensamentos, desejos, ideias e ambiçoes.
Todo o resto é produto do homem no mundo. E nesse caminho de dentro para fora ou de fora para fora, o trajeto faz curva onde a ilusao se acumula.
A arte nao faz caminho nem curva, nao ha distancia suficiente entre o homem e a propria arte para que a ilusao se acumule ai.
A realidade possivel do homem é a arte.
A realidade possivel da vida, do mundo, é a natureza. É o espaço que se criou sozinho e que tampouco distanciou-se de si mesmo suficientemente para que a ilusao pudesse se acumular ali.
Pode ser que toda diferença do real e nao real esteja na distancia que algo cria de si mesmo para fazer existir alguma coisa.
Talvez nem tenha a ver com sentimento, a arte. Talvez tenha a ver com a ausencia de distancia entre o que se cria e o criador. O que de mais humano tem em ti. O que de mais humano tem em ti?
sexta-feira, 11 de março de 2011
cidade amarela
A cidade é pra dentro. Sabe como é né? Cidade pra dentro...
Todos os postos ocupados, nada infla nem flutua. Uma desorganizaçao harmonica. Cidade impenetravel, estatica e voraz.Tudo em seu devido lugar. E entao. E entao voce quase nao existe nela. A luz do poste é mais util que voce, queridinho.
Nao cresce.Nao anda pra tras. Quem vive nela percorre,mas nao penetra, nao cheira, nao toca. Parece ter sido feita pra quem nao é daqui. E por fim ela se recolhe. Ela é uma velha senhora que se recolhe da varanda no final da tarde.
A sensaçao mais estranha nao é essa. A sensaçao mais estranha é a de nao saber se desvendei sua essencia ou...enlouqueci.
Todos os postos ocupados, nada infla nem flutua. Uma desorganizaçao harmonica. Cidade impenetravel, estatica e voraz.Tudo em seu devido lugar. E entao. E entao voce quase nao existe nela. A luz do poste é mais util que voce, queridinho.
Nao cresce.Nao anda pra tras. Quem vive nela percorre,mas nao penetra, nao cheira, nao toca. Parece ter sido feita pra quem nao é daqui. E por fim ela se recolhe. Ela é uma velha senhora que se recolhe da varanda no final da tarde.
A sensaçao mais estranha nao é essa. A sensaçao mais estranha é a de nao saber se desvendei sua essencia ou...enlouqueci.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Porto
É que essa tua janela fechada me disse coisas
das quais tua varanda também ressaltou
e teus varais e cores e panos e meias
e todas as suas tardes, aventais e suspiros
e todas essas coisas que eu imagino
e que sequer chegaram a te acontecer
É que eu inventei tua vida
mas nao te contei.
Simplesmente porque nao te conheço
só te vi passar.
te vi passar só.
das quais tua varanda também ressaltou
e teus varais e cores e panos e meias
e todas as suas tardes, aventais e suspiros
e todas essas coisas que eu imagino
e que sequer chegaram a te acontecer
É que eu inventei tua vida
mas nao te contei.
Simplesmente porque nao te conheço
só te vi passar.
te vi passar só.
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