Ela ainda de avental,
e por baixo a roupa escolhida depois de horas
de um diálogo aflito com o guarda-roupa
esperando parecer assim...naturalmente linda
enrolada dentro dos limites do que lhe parecia perfeito
Um cd antigo de jazz, meia luz.
e ela nem gostava de jazz. Mas, achava que
tinha assim uma impessoalidade ideal
e ainda de avental
Ela suava, pelo calor na cozinha
pelo nervosismo do que esperava
pelas coisas la fora
panos quentes, ebuliçao e vapor
e a mesa posta
a afliçao dobrada nos guardanapos
o reflexo opaco dos pratos
e tudo aquilo parecia infinito, interminavel
era tao dificil de encontrar naturalidade
como se o encontro fosse com ela mesma
tinha a boca seca. e tinha pouco o que falar.
guardou alguns topicos do jornal de ontem
e esparava nao se aprofundar muito nesses assuntos
mas,agora só a espera
ela sabe que o interfone vai tocar
e entao ela vai ficar indecisa entre abrir logo a porta ou nao
e vai escolher nao abrir,
e vai olhar pelo olho magico, mesmo sabendo quem esta do outro lado
vai abrir a porta com um sorriso de quem esconde toda a afliçao solitaria
entao ela vai pedir que ele espere um minuto
vai caminhar ate o banheiro, se olhar no espelho
e depois do reflexo opaco
ela vai perguntar como foi o dia dele
e entao,
e entao o telefone toca.
o telefone toca e ele nao vem.
senta-se a mesa
indecisa
nao sabe dizer qual solidao é pior
a de antes ou de agora.
e com pensamentos rapidos. e lentos.
ela desdobra devagar os guardanapos
deixando escapar no ar
a afliçao de antes
as musicas do cd ja acabaram
silêncio.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
.
Maças e tardes
e pernas
e tambem de pés descalços
Do que for natural
visceral e humano
do que se pode provar pouco a pouco
Dos dias crus
sem planos e molduras
das manhas que atravessam cortinas
das coisas espalhadas
que carregam um passado
demasiado recente
Da musica e do que ela provoca
De observar pessoas e seus sorrisos
De guarda chuvas na rua
e do fato de serem quase sempre inuteis
De quando eles tiram os oculos
para escutarem melhor
De quando sao vencidos pelo vento
e apesar de grandes, nao conseguirem
acender seus cigarros
Das amigas
e do andar quase infantil que elas adquirem
quando estao juntas
Das banalidades
da linha sutil que se tem de atravessar
para torna-las profundas, transcedentais
Dos olhos puxados
e do fato de nao me dizerem quase nada
Da melancolia das fotos,
da potencia fragil que todas carregam
Do velho, do gasto,
do que se tornou essencial
De quem vai de bicicleta
e das expressoes que dançam
entre uma concentraçao profunda
e uma total distraçao
Da chuva la fora
Das urgencias, chamados
e saudades
Das atitudes estranhas
humanamente irreconheciveis
Da cor bege dos turistas
e tambem dessa felicidade fugaz
que eles carregam
e que se desmancha na esquina
Do mundo paralelo
quase metafisico que os
reflexos criam
Da expectativa das varandas vazias
e de quem aparece por ali
Dos casais velhos
do tédio doce
e insuperavel
De quem nao tem medo
do silencio e do azedo
Das listras e estampas
e do fato de nada representarem
Do fato de cada um poder ser um mundo
distinto
e ao mesmo tempo criarem
respostas iguais a quase tudo
Do que nao posso entender
das linguas exoticas e insensiveis
Do que é doce
e tambem arisco
Posso quase derreter
com o que vejo daqui.
Só se passaram dez minutos.
Quanto tempo cabe em dez minutos?
e pernas
e tambem de pés descalços
Do que for natural
visceral e humano
do que se pode provar pouco a pouco
Dos dias crus
sem planos e molduras
das manhas que atravessam cortinas
das coisas espalhadas
que carregam um passado
demasiado recente
Da musica e do que ela provoca
De observar pessoas e seus sorrisos
De guarda chuvas na rua
e do fato de serem quase sempre inuteis
De quando eles tiram os oculos
para escutarem melhor
De quando sao vencidos pelo vento
e apesar de grandes, nao conseguirem
acender seus cigarros
Das amigas
e do andar quase infantil que elas adquirem
quando estao juntas
Das banalidades
da linha sutil que se tem de atravessar
para torna-las profundas, transcedentais
Dos olhos puxados
e do fato de nao me dizerem quase nada
Da melancolia das fotos,
da potencia fragil que todas carregam
Do velho, do gasto,
do que se tornou essencial
De quem vai de bicicleta
e das expressoes que dançam
entre uma concentraçao profunda
e uma total distraçao
Da chuva la fora
Das urgencias, chamados
e saudades
Das atitudes estranhas
humanamente irreconheciveis
Da cor bege dos turistas
e tambem dessa felicidade fugaz
que eles carregam
e que se desmancha na esquina
Do mundo paralelo
quase metafisico que os
reflexos criam
Da expectativa das varandas vazias
e de quem aparece por ali
Dos casais velhos
do tédio doce
e insuperavel
De quem nao tem medo
do silencio e do azedo
Das listras e estampas
e do fato de nada representarem
Do fato de cada um poder ser um mundo
distinto
e ao mesmo tempo criarem
respostas iguais a quase tudo
Do que nao posso entender
das linguas exoticas e insensiveis
Do que é doce
e tambem arisco
Posso quase derreter
com o que vejo daqui.
Só se passaram dez minutos.
Quanto tempo cabe em dez minutos?
sexta-feira, 6 de maio de 2011
vem ver
olha voce nao vai acreditar no que eu to vendo
daqui da janela
eu nao sei se é o fim do mundo
ou se é qualquer dessas coisas que dividem
o mundo em antes e depois
mas o céu ta assim indeciso em dezenas de tons de azul
e os passaros
voce nao faz ideia do que eles andam fazendo por aqui
parece que é festa no ceu
fim de tarde
mil passaros felizes e raivosos
fingindo que dominaram qualquer coisa
e vai ver...
daqui da janela
eu nao sei se é o fim do mundo
ou se é qualquer dessas coisas que dividem
o mundo em antes e depois
mas o céu ta assim indeciso em dezenas de tons de azul
e os passaros
voce nao faz ideia do que eles andam fazendo por aqui
parece que é festa no ceu
fim de tarde
mil passaros felizes e raivosos
fingindo que dominaram qualquer coisa
e vai ver...
domingo, 1 de maio de 2011
a vista da poltrona
era como se tudo tivesse deixado de ser o que era
para se tornar caminho dos ventos
como se todas aquelas coisas tivessem abdicado da vida sem vida
o vento percorrendo a sala
sacudindo as paredes, fluido inquieto
num cemiterio de coisas mortas ha muito tempo
as coisas talvez tivessem decidido em assembleia
morrer mais um pouco
como se morrer fosse retroceder em reverencias infinitas ao vento
e entao nem sei mais...
talvez as coisas estejam morrendo mesmo
e tambem talvez nao se tenha mais nada a dizer sobre isso
para se tornar caminho dos ventos
como se todas aquelas coisas tivessem abdicado da vida sem vida
o vento percorrendo a sala
sacudindo as paredes, fluido inquieto
num cemiterio de coisas mortas ha muito tempo
as coisas talvez tivessem decidido em assembleia
morrer mais um pouco
como se morrer fosse retroceder em reverencias infinitas ao vento
e entao nem sei mais...
talvez as coisas estejam morrendo mesmo
e tambem talvez nao se tenha mais nada a dizer sobre isso
quarta-feira, 30 de março de 2011
absurdo
Talvez ela carregasse toda a chuva do dia
nos cabelos molhados
E ela carregando toda aquela agua
me parecia louca, morta ou irreal.
Ela era pura. chuva
E já tinha parado de chover a tantas horas daquele dia
que eu nem sei...
Talvez uma magia na forma com que ela guardava a chuva no cabelo.
Tinha algo a mais. Era um bicho. E era como se a agua fizesse parte do seu corpo,
como se existissem pessoas morenas,magras e molhadas.
E como se ela nao soubesse disso.
E como se ela pudesse fazer chover. E sendo assim. Tao simples.
Tudo perdia o sentido.
Ela se diluindo
gota
por
gota
nos cabelos molhados
E ela carregando toda aquela agua
me parecia louca, morta ou irreal.
Ela era pura. chuva
E já tinha parado de chover a tantas horas daquele dia
que eu nem sei...
Talvez uma magia na forma com que ela guardava a chuva no cabelo.
Tinha algo a mais. Era um bicho. E era como se a agua fizesse parte do seu corpo,
como se existissem pessoas morenas,magras e molhadas.
E como se ela nao soubesse disso.
E como se ela pudesse fazer chover. E sendo assim. Tao simples.
Tudo perdia o sentido.
Ela se diluindo
gota
por
gota
segunda-feira, 28 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
eu nao sei
A arte é a unica realidade inerente ao homem.
Todo o resto pode ser ilusao. Nao no sentido negativo da palavra, mas na forma mais ampla de Ilusao. Todo o resto é colocado no mundo, mas fruto de pensamentos, desejos, ideias e ambiçoes.
Todo o resto é produto do homem no mundo. E nesse caminho de dentro para fora ou de fora para fora, o trajeto faz curva onde a ilusao se acumula.
A arte nao faz caminho nem curva, nao ha distancia suficiente entre o homem e a propria arte para que a ilusao se acumule ai.
A realidade possivel do homem é a arte.
A realidade possivel da vida, do mundo, é a natureza. É o espaço que se criou sozinho e que tampouco distanciou-se de si mesmo suficientemente para que a ilusao pudesse se acumular ali.
Pode ser que toda diferença do real e nao real esteja na distancia que algo cria de si mesmo para fazer existir alguma coisa.
Talvez nem tenha a ver com sentimento, a arte. Talvez tenha a ver com a ausencia de distancia entre o que se cria e o criador. O que de mais humano tem em ti. O que de mais humano tem em ti?
Todo o resto pode ser ilusao. Nao no sentido negativo da palavra, mas na forma mais ampla de Ilusao. Todo o resto é colocado no mundo, mas fruto de pensamentos, desejos, ideias e ambiçoes.
Todo o resto é produto do homem no mundo. E nesse caminho de dentro para fora ou de fora para fora, o trajeto faz curva onde a ilusao se acumula.
A arte nao faz caminho nem curva, nao ha distancia suficiente entre o homem e a propria arte para que a ilusao se acumule ai.
A realidade possivel do homem é a arte.
A realidade possivel da vida, do mundo, é a natureza. É o espaço que se criou sozinho e que tampouco distanciou-se de si mesmo suficientemente para que a ilusao pudesse se acumular ali.
Pode ser que toda diferença do real e nao real esteja na distancia que algo cria de si mesmo para fazer existir alguma coisa.
Talvez nem tenha a ver com sentimento, a arte. Talvez tenha a ver com a ausencia de distancia entre o que se cria e o criador. O que de mais humano tem em ti. O que de mais humano tem em ti?
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